História de Arte
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Por Susana 
Batel

 

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História de Arte


ARTE

 Frida Kahlo (1907 – 1954)

   Frida Kahlo nasceu a 6 de Julho de 1907 na Cidade do México. A sua vida, recheada de tragédias e dramas, foi o principal ponto de partida da sua obra, inspirando-a e marcando-a de forma incontornável. A obra torna-se, então, indissociável do seu percurso biográfico, logo de relevância crucial para perceber toda a fantástica e reconhecida obra de Kahlo.

O local onde nasceu, onde passou a maior parte da sua vida e onde viria a morrer, a Casa Azul, marcou-a claramente, rodeada de florestas luxuriantes e ídolos pré-colombianos. Aí viveu com Diego Rivera, famoso muralista mexicano, com quem casou em 1929; e aí deu aulas aos seus alunos de pintura, “Los Fridos”.

      Logo aos 6 anos, vítima de pólio, foi afectada fisicamente ao ficar com a perna direita mais magra que a outra. No entanto, e já na escola preparatória, Kahlo mostrava um acentuado espírito incomformista e de rebelião, liderando grupos de jovens contestadores, o que anunciava a sua dureza e severidade de espírito em contraste com a sua (de futuro, ainda pior) debilidade física. 

      De facto, aos 18 anos foi marcada por uma maior tragédia, ao sofrer um grave acidente rodoviário quando viajava num autocarro: partiu a coluna, o pescoço, várias costelas, o pélvis, a perna direita teve 11 fracturas, o pé direito ficou deslocado e esmagado, e também um ombro se deslocou. O horror físico e psicológico resultante deste acidente é retratado de forma impressionante num dos seus mais famosos quadros:

 
 
 

 



     Teve que ficar hospitalizada durante mais de um mês, mas, e apesar da gravidade do acidente e das consequências futuras (inúmeras operações, fadiga acentuada, dores constantes), Kahlo conseguiu superar o acidente pela sua força de carácter, pela sua severidade de espírito, aliás bem visíveis nos seus muitos auto-retratos, de uma profundidade psicológica bem marcada.

 
 
 
 

 



     Foi, aliás, o facto de ter ficado presa a uma cama durante muito tempo, que a levou a pintar mais frequentemente como passatempo. Daí a fazer disso a sua profissão, foi um passo muito curto, facilmente dado pela utilização da pintura como uma forma de catarse, de purificação e libertação da alma, esta última constrangida por todos os dissabores da sua vida.

     Um amigo próximo, algum tempo depois do acidente de Kahlo e de esta ter voltado a andar, apresentou-a a Diego Rivera, vindo-se esta a revelar a relação mais importante e controversa da vida de Frida. De facto, o seu casamento com Rivera revelou-se um poço de fortes emoções, carregado de amor e ódio, de lealdade e traições, de  contrastes, bem revelados na própria aparência física de ambos: o elefante e a pomba – ele, enorme e gordo; ela, magra e pequena. 

       
   



      

     A influência de Rivera na obra de Kahlo é, por isso, bem patente, desde logo na imagem de marca da então cada vez mais reconhecida, no México, Europa e EUA, Frida Kahlo: as roupas populares e típicas mexicanas (vestidos coloridos e compridos), bem como as sobrancelhas grossas e unidas, foram sugestões de Rivera que acabaram por se tornar incontornáveis ao longo de toda a vida de Kahlo.

 
 

   Frida levava uma vida de altos e baixos, entre a extroversão e sociabilidade (gostava de estar com amigos a cantar e beber Tequilla), e as tendências depressivas, algumas vezes culminadas em tentativas de suicídio, principalmente a partir de 1953, ano em que realizou a sua única exposição no México (obtendo com esta um sucesso e fama ainda mais abrangentes), e em que teve que ter a perna direita amputada abaixo do joelho, devido à gangrena. Daqui para a sua última tentativa de suicídio (apontada como provável causa de morte, tendo em conta que não foi realizada a autópsia), pouco tempo passou - Kahlo suicidou-se aos 47 anos, a 13 de Julho de 1954, deixando como últimas palavras escritas: “Espero que a partida seja alegre e espero nunca mais voltar.”.

“Roots”
 
 

 

     Em “Raízes”, Kahlo parece querer transparecer a sua ligação profunda com a terra, com a natureza, evidenciando-se como uma pequena parte desse todo. Aliás, esta relação vê-se tanto mais sentida, quanto vislumbramos as influências da Casa Azul e da sua envolvente, na obra de Kahlo.

  Contudo, há algo mais que nos faz prender a esta obra, sobretudo se a sentirmos como parte da vivência tendencialmente ferida e amargurada de Kahlo: faz-nos entrever o seu desejo de voltar às origens, às “Raízes”, o anseio da comunhão com o mundo.

Parece, assim, surgir como o confrontar da essencial dualidade definidora de Kahlo, entre a vida e a morte. 

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