Psicologia Social
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Por Ana 
Fonseca

 

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Processos de Influência Social
       A Obediência à Autoridade
 

 


Processos de Influência Social – A Obediência à Autoridade 

Com o intuito de esclarecer que os processos de influência social não se resumem à normalização, nem ao conformismo, o seguinte artigo vai descrever a situação experimental desenvolvida por Stanley Milgram, na década de 60, que tinha como objectivo averiguar até onde seriam capazes de ir as pessoas que se limitam a obedecer.

Esta é uma das experiências mais conhecidas e mais polémicas da psicologia social moderna, sobretudo pelos seus resultados que mostram que “uma proporção substancial de pessoas faz o que lhe mandam, qualquer que seja o conteúdo do acto e sem entraves de consciência, desde que considerem o comando como emitido por uma autoridade legítima” (Milgram, 1965, p. 75)[1].

Os sujeitos de Milgram foram retirados de um amplo espectro de níveis económicos e educacionais, sendo-lhes dito que o estudo pretendia medir o efeito da punição na aprendizagem humana. Neste sentido, existia um «professor» (o sujeito ingénuo) que lia em voz alta uma lista de pares de palavras e um «aluno» (o comparsa do experimentador) que, posteriormente, tinha de saber quais as palavras que formavam os pares. “O experimentador explicava ao «professor» que este deveria administrar um choque ao «aprendiz» sempre que este desse uma resposta errada, aumentando a intensidade em quinze volts por cada novo erro” (Garcia-Marques, 2000, p. 259)[2]. O sujeito ingénuo e o experimentador encontravam-se numa sala contígua à do comparsa que estava preso numa cadeira eléctrica, podendo ouvir o «professor» através de um altifalante e emitir as suas respostas a partir de interruptores. Neste âmbito, procurava-se medir a intensidade máxima de choques que cada sujeito ingénuo administrava (variável dependente), tendo em conta que alguns elementos da experiência se mantinham constantes, nomeadamente:

a)       O «aluno» cometia sempre um terço de erros;

b)      Até aos trezentos volts a vítima não reagia, mas a partir daí começava a bater com a mão que tinha livre na parede e depois não surgiam mais respostas;

c)       Caso o sujeito ingénuo se insurgisse contra a experiência, o experimentador incitava-o dizendo, pela seguinte ordem: “Por favor continue”, “a experiência requer que continue”, “é absolutamente essencial que continue”, “não tem alternativa, tem de continuar”. Se após estes quatro incitamentos, o sujeito ingénuo se recusasse a continuar, a experiência terminaria;

d)      Se o sujeito ingénuo referisse que o «aluno» não queria continuar o experimentador reforçava a ideia que ele tinha de continuar até aprender as palavras;

e)       O experimentador referia que a responsabilidade pelas eventuais consequências nocivas dos choques era inteiramente sua.

Os resultados mostram que a grande maioria dos sujeitos, mais especificamente 65%, foram até ao máximo dos choques. Um facto surpreendente dado que estava envolvido o sofrimento de outras pessoas. A partir desta situação base foram realizadas outras experiências, variando sistematicamente diferentes factores, nomeadamente, a proximidade da vítima, a proximidade da autoridade, o prestígio da autoridade, o peso do apoio social para a desobediência e a consistência da autoridade.

Concluindo, é possível referir que uma análise comparativa com os estudos relativos ao conformismo, permite aferir que enquanto estes analisam o poder de maiorias quantitativas sobre as minorias, o estudo da obediência à autoridade analisa o poder de maiorias qualitativas sobre minorias, desprovidas de qualquer tipo de poder.


 

[1] Milgram, S. (1965). Some conditions of obedience and desobedience to authority. Human Relations, 18, 56-76

[2] Garcia-Marques, L. (2000). O inferno são os outros: Estudo da influência social. In Vala, J. & Monteiro, M. B. (Eds.), Psicologia Social. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian (pp.227-292)

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