Por
Diana Madaleno

Psicologia ClínicaPsicologia no HOOPS - Voltar à pagina inicial

 

                   A Memória



A Memória
 

Segundo Gleitman (1999, p. 317), “a memória é a maneira como fazemos o registo do passado, para a sua posterior utilização no presente”. Tem grande importância na nossa vida pois sem ela não existiria antes nem depois, não poderíamos usar capacidades que aprendemos anteriormente, nem reconhecer rostos e pessoas. Sem memória, não nos poderíamos sentir como pertencentes a este mundo, pois tudo aquilo que víssemos num dia seria completamente diferente do que aquilo que víssemos no dia a seguir. 

Processo de memorização 

Todo o acto de recordar implica o sucesso em três etapas: codificação, armazenamento e recuperação da informação. O primeiro consiste na aprendizagem da informação que pretendemos reter na memória. O segundo passo deste processo consiste na conservação da informação codificada de forma mais ou menos permanente para uma utilização subsequente. Finalmente, a recuperação consiste na tentativa de recordar o que aprendemos. 

As falhas de memória podem ser o resultado de perturbações em qualquer dos três estádios do processo de memória. A memória pode falhar pontualmente em pessoas ditas “normais”, sem que isso implique que o indivíduo tem uma perturbação grave da memória, como uma amnésia, por exemplo. A recordação de algo pode ser ineficaz porque se deu o esquecimento ou a distorção da informação. 

Algumas definições... 

Memória de curto prazo – sistema de memória que guarda a informação durante pouco tempo. Um exemplo de memória de curto prazo é a memória que utilizamos para recordar uma lista de nomes que alguém nos dá para memorizarmos e dizermos após a memorização. Este tipo de memória tem pouca capacidade de armazenamento: estudos demonstram que um adulto normal apenas consegue recordar sete itens (e mais ou menos dois) de uma lista que lhe é apresentada uma única vez (Miller, 1956, ref. por Gleitman, 1999). 

Memória de longo prazo – sistema de memória que guarda a informação durante períodos muito longos, por vezes durante uma vida inteira. Um exemplo deste tipo de memória é a enorme quantidade de informação que um estudante universitário memoriza durante os seus estudos académicos. 

Memória declarativa/explícita – quando tentamos recordar acontecimentos ou ideias de forma consciente, como acontece, por exemplo, quando alguém nos pergunta o que jantamos ontem. De acordo com Ruiloba, J. (2002), no campo da memória explícita é possível diferenciar a memória episódica (que codifica informação sobre eventos autobiográficos) e a memória semântica (que codifica conhecimento geral). 

Memória não declarativa/implícita – quando evocamos a memória sem termos consciência disso. Por exemplo, quando falamos com uma pessoa, apenas compreendemos as palavras que escutamos e pronunciamos porque, no passado, aprendemos o seu significado. Mas enquanto falamos não temos consciência de termos, de facto, consultado os nossos “arquivos” de memória.

Como melhorar a memória? 

Segundo Tierno (1998), a memória pode-se desenvolver com a prática (salvo algumas excepções). Eis algumas orientações deste psicólogo:  

-  devemos deixar um pouco a agenda de lado e devemos procurar reter na memória os nossos compromissos mais imediatos.

-  utilize estratégias para memorizar nomes, datas e lugares, como associar coisas antigas a dados novos, procurar palavras que rimem...

-  tente repetir várias vezes a informação recentemente memorizada, pois a repetição é essencial para a conservação da informação nos armazéns da memória. É muito difícil alguém esquecer o número de telefone da pessoa a quem se liga todos os dias. 

De acordo com Gleitman, H. (1999), ao longo dos tempos foram sendo desenvolvidas várias técnicas para melhorar a memória, muitas vezes apelidadas mnemónicas. O autor refere dois tipos de mnemónicas: verbais e visuais.

Mnemónicas através da organização verbal – é mais fácil recordar material verbal se este estiver organizado. Os antigos usavam o verso, a organização de sequências de palavras que mantêm um ritmo fixo e a rima. Hoje em dia a rima ainda é utilizada como mnemónica. 

Mnemónicas através de imagens visuais – algumas das mnemónicas mais eficazes que se conhecem implicam a utilização deliberada de imagens mentais. Segundo Gleitman (1999), uma das técnicas mais eficazes é o método dos loci: esta técnica implica que o sujeito visualize, numa localização espacial diferente (lócus), cada um dos itens que pretende recordar. Deste modo, durante a recordação, cada localização é inspeccionada mentalmente e o item aí colocado, em imaginação, pode ser então recuperado. Um estudo experimental de Ross & Lawrence (1968; ref. por Gleitman, 1999) consistiu em apresentar uma única vez, durante dez minutos, uma lista de quarenta substantivos comuns não relacionados a estudantes universitários. Estes deviam tentar memorizar o maior número possível de itens, visualizando-os em quarenta localizações diferentes no campus universitário. Os estudantes foram testados logo a seguir e conseguiram recordar, em média, trinta e oito itens. Esta experiência permite concluir, portanto, que a utilização de imagens visuais facilita a memorização de informação.

            Diana Duarte Madaleno
TopoVoltar ao topo da página de psicologia


Bibliografia:

-    Cardonner, N. & Urretavizcaya, M. (2002). Psicopatologia de la memória. In Ruiloba, V. J. (Ed.). Introducción a la psicopatología y la psiquiatría (5ªed.). Barcelona: Masson.

-    Gleitman, H. (1999). Psicologia (4ª ed.). Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

-    Tierno, B. (1998). O psicólogo em casa. Lisboa: Editorial Presença.

 

Voltar 

O HOOPS     Mapa do Site    E-mail   Ajuda   Home
© 2001-2003 HOOPS. Todos os direitos reservados.